Como formar alunos capazes de competir com as inteligências artificiais pelo futuro que queremos

Vivemos um tempo em que as transformações acontecem em uma velocidade jamais experimentada pela humanidade. A cada novo avanço tecnológico, especialmente no campo das inteligências artificiais, somos convidados a aprender novas ferramentas e repensar profundamente aquilo que entendemos por educação, desenvolvimento humano e preparação para o futuro. Não se trata mais de uma mudança pontual, mas de uma verdadeira mudança de paradigma, que atravessa a escola, a família e a forma como concebemos o papel do ser humano no mundo.

Diante desse cenário, emerge uma inquietação legítima e inevitável: como educar crianças e adolescentes para um futuro em que máquinas aprendem, produzem, analisam e, em muitos casos, superam a capacidade humana em tarefas específicas? A pergunta, no entanto, pode nos levar a um erro conceitual se não for bem compreendida. O objetivo da educação não deve ser formar indivíduos que disputam espaço com a tecnologia no terreno em que ela é mais eficiente. É desenvolver seres humanos capazes de atuar com consciência, criticidade, criatividade e responsabilidade em um mundo profundamente impactado por essas tecnologias.

Durante muito tempo, a escola foi organizada em torno da transmissão de conteúdos e da valorização do acúmulo de informações. Esse modelo fazia sentido em um contexto em que o acesso ao conhecimento era restrito e mediado. Hoje, entretanto, vivemos em uma realidade em que a informação é abundante, acessível e, muitas vezes, processada de forma mais rápida e eficiente por sistemas automatizados. Isso exige da educação um deslocamento de foco. Mais do que ensinar o que pensar, torna-se essencial ensinar como pensar, por que pensar e para quê pensar. Qual é o sentido do que aprendemos? O que podemos fazer de melhor com as informações de que dispomos?

Nesse novo contexto, as competências cognitivas continuam sendo fundamentais, mas já não são suficientes isoladamente. A capacidade de interpretar, analisar, resolver problemas complexos e aprender continuamente precisa caminhar junto com o desenvolvimento de competências socioemocionais. Não há aprendizagem profunda sem equilíbrio emocional, assim como não há desenvolvimento emocional consistente sem reflexão, consciência e repertório cognitivo. Separar essas dimensões é um equívoco que compromete a formação integral do aluno.

Ao mesmo tempo, é preciso reconhecer que a tecnologia não é o grande problema, mas tampouco é, por si só, a solução. A presença das inteligências artificiais no cotidiano exige que a escola assuma um papel mais ativo na formação digital dos alunos. Isso implica ensinar o uso técnico, ético, consciente e responsável das ferramentas. Educar para o mundo digital é formar indivíduos capazes de discernir, questionar, selecionar informações e compreender os impactos de suas escolhas no ambiente virtual e na vida real.

Outro aspecto que não pode ser negligenciado é o impacto emocional desse novo tempo. Vivemos uma geração marcada por níveis crescentes de ansiedade, insegurança e sensação de inadequação. Educadores e famílias também se veem atravessados por dúvidas e medos em relação ao futuro. Nesse contexto, a escola precisa se tornar um espaço de acolhimento, escuta e construção de sentido. Não basta preparar para provas ou para o mercado de trabalho. É necessário preparar para a vida, o que inclui desenvolver a capacidade de lidar com frustrações, incertezas e desafios inevitáveis.

A formação de alunos capazes de enfrentar esse cenário passa, necessariamente, pela valorização daquilo que é essencialmente humano. As inteligências artificiais podem processar grandes volumes de dados, identificar padrões e executar tarefas com alta precisão. No entanto, não são capazes de construir sentido existencial, estabelecer vínculos afetivos genuínos, agir com ética baseada em valores ou criar a partir de experiências subjetivas e humanas. É nesse território que a educação encontra sua maior relevância.

Isso exige uma ampliação do olhar sobre o que significa formar um aluno. Não podemos mais restringir o conceito de sucesso ao desempenho acadêmico tradicional. É fundamental reconhecer e estimular diferentes formas de inteligência e expressão. Espaços como atividades culturais, práticas esportivas, projetos de empreendedorismo, oficinas de educação financeira e iniciativas colaborativas permitem que os alunos desenvolvam habilidades diversas e descubram suas potencialidades de forma mais ampla e significativa. Quando a escola oferece múltiplos caminhos de desenvolvimento, ela contribui para a construção de autoestima, pertencimento e propósito.

Outro ponto central nesse processo é o engajamento das famílias. A educação não acontece de forma isolada dentro da escola. Quando família e escola caminham em direções opostas, o desenvolvimento do aluno se fragiliza. Por isso, é fundamental construir uma relação de parceria, baseada em diálogo, alinhamento de valores e corresponsabilidade. Famílias bem orientadas e envolvidas potencializam significativamente os resultados educacionais e emocionais das crianças e adolescentes.

Além disso, torna-se essencial cultivar uma cultura de mentalidade de crescimento. Em um mundo em constante transformação, a rigidez cognitiva e emocional se torna um obstáculo significativo. É preciso ensinar os alunos a aprender com erros, a persistir diante de dificuldades e a compreender que habilidades podem ser desenvolvidas ao longo do tempo. Essa postura favorece não apenas o desempenho acadêmico, mas também a construção de resiliência e autonomia.

Formar alunos preparados para o futuro também implica cuidar daqueles que educam. A saúde mental dos educadores precisa ser prioridade. Professores emocionalmente sobrecarregados, desvalorizados ou inseguros dificilmente conseguirão inspirar e conduzir processos de aprendizagem significativos. Investir no bem-estar e no desenvolvimento socioemocional dos educadores é investir diretamente na qualidade da educação.

Diante de tudo isso, fica evidente que a grande questão não é se as inteligências artificiais irão transformar o mundo. Elas já estão transformando. A questão central é que papel teremos diante deste novo cenário e como vamos responder a essa transformação. Podemos optar por uma postura reativa, baseada no medo e na resistência, ou por uma postura ativa, baseada na compreensão, na adaptação e na construção de caminhos, com protagonismo.

A educação tem um papel decisivo nesse processo. Além de acompanhar as mudanças, deve orientar a forma como as novas gerações irão se posicionar diante delas. Isso significa formar indivíduos capazes de utilizar a tecnologia com inteligência, sem abrir mão de sua humanidade, de seus valores e de seu senso de propósito.

Texto: Leo Fraiman.

Uso excessivo de redes sociais impacta negativamente na felicidade de jovens, diz Relatório Mundial de Felicidade 2026

O Relatório Mundial de Felicidade 2026 trouxe insights sobre o bem-estar global, principalmente sobre o papel das redes sociais na vida dos jovens. Publicado pela Universidade de Oxford em parceria com a Gallup e a ONU, o documento analisa dados de mais de 140 países e destaca tanto avanços como preocupações, além de convidar educadores e famílias a refletirem sobre o impacto da tecnologia no desenvolvimento emocional da juventude.

Nesse contexto, o consumo excessivo de redes sociais é apontado como fator chave para a queda drástica na felicidade de jovens menores de 25 anos em países de língua inglesa e da Europa Ocidental. Principalmente meninas, com perda de quase 1 ponto na escala nos últimos 10 anos. Na América Latina, entretanto, o estudo indicou que o alto uso de redes não compromete o bem-estar juvenil no caso de plataformas de conexão social que fortalecem laços, como o WhatsApp, em oposição aos de conteúdo curado por algoritmos, como Instagram e TikTok. Além disso, descobriu-se que o pertencimento escolar tem impacto de 4 a 6 vezes maior na felicidade do que redução do consumo de redes sociais.

O relatório também citou a pesquisa PISA 2022, que abrangeu sete atividades na internet para estudantes de 15 anos em 47 países – exceto Estados Unidos, Canadá, Austrália e Nova Zelândia — e mostrou que o uso pesado de redes sociais (média de 2,5 horas/dia) reduz o bem-estar. Mas menos de 1 hora diária eleva a satisfação vital acima de quem não usa redes. Outros fatores, como laços sociais e pertencimento, foram apontados como mais impactantes do que o tempo on-line. 

Além do PISA 2022, o documento discorre sobre outros estudos, incluindo ensaios clínicos randomizados, experimentos naturais, estudos internos feitos pelas próprias empresas de redes sociais (Facebook, TikTok, Instagram, Snapchat) e citações de seus funcionários afirmando diretamente que seus produtos estão causando danos a adolescentes em larga escala. Os dados vão além da questão da felicidade e incluem informações sobre como esses produtos impactam negativamente a autoimagem de seus usuários, aumentam a incidência de ansiedade e depressão, bem como exposição a conteúdos violentos e de bullying, assim como à recepção de “investidas sexuais indesejadas”. 

Com isso, ao fim da análise, o Relatório Mundial de Felicidade 2026 é categórico e afirma: “a preponderância das evidências aponta para uma resposta clara à questão da segurança do produto: não, as plataformas de mídias sociais não são seguras para crianças e adolescentes”.

 

Outros destaques globais

A Finlândia mantém a liderança de país mais feliz do mundo pelo nono ano consecutivo, com uma nota média de 7,764 em uma escala de 0 a 10 na avaliação de qualidade de vida, seguida por Islândia, Dinamarca e Costa Rica, que alcança o 4º lugar, o melhor de um país latino-americano. Pela primeira vez desde 2012, nenhum país de língua inglesa figura no top 10: Nova Zelândia (11º), Irlanda (13º), Austrália (15º), EUA (23º), Canadá (25º) e Reino Unido (29º) saem do pódio, refletindo quedas acentuadas no bem-estar juvenil.

Já o Brasil está em 32º lugar, com nota 6,634/10 (média de 2023 a 2025), superando França (35º), Argentina (44º) e Chile (50º). Globalmente, há mais países com ganhos significativos (79) que perdas (41) desde 2006 a 2010, com destaques na Europa Central e Oriental (como Kosovo em 16º e Eslovênia em 18º). Já países em conflito permanecem no fundo da lista, como Afeganistão (147º).

 

Próximos passos

Esses achados reforçam a necessidade de educação digital consciente para priorizar conexões reais, limitar exposição algorítmica e fomentar pertencimento em escolas para elevar a felicidade sustentável. Como educadores, propomos a criação de workshops sobre uso equilibrado de tech, incentivo a atividades off-line para fortalecer laços autênticos, criação de cultura e políticas voltadas para a sensação de pertencimento escolar e limitação do tempo de telas e de exposição às redes sociais, conforme indicado em diversos conteúdos da Metodologia OPEE, seja nos materiais escolares, seja em nosso canais digitais. 

Além disso, é importante lembrar que a felicidade não é a ausência de problemas. É o processo de se construir uma boa vida. No press release do relatório há uma fala de John F. Helliwell, professor emérito de Economia da Universidade da Colúmbia Britânica e um dos editores fundadores do Relatório Mundial da Felicidade, que explica perfeitamente essa ideia: “quando se trata de felicidade, construir o que é bom na vida é mais importante do que encontrar e consertar o que é ruim. Ambos precisam ser feitos, agora mais do que nunca.”

Texto: Marcela Braz.

Como viver com mais autocompaixão: conheça três pilares essenciais

Ao longo dos anos publicamos diversos conteúdos sobre autocompaixão para inspirar e contribuir para o desenvolvimento dessa competência socioemocional, um recurso potente e estável para a resiliência emocional e a conquista de objetivos. Neste texto, esmiuçamos seus três pilares para aprofundar o tema e criar uma ponte entre teoria e prática.

Vale lembrar que a autocompaixão é uma forma de nos relacionarmos com nossas fragilidades de modo caloroso, lúcido e conectado com os outros, em vez de cairmos em ciclos de autocrítica e isolamento. Essa é a proposta da pesquisadora americana especialista em autocompaixão Kristin Neff, difundida nos programas desenvolvidos em parceria com Christopher Germer, psicólogo e professor de psiquiatria na Escola de Medicina de Harvard.

Em vez de ignorar a dor ou afundar nela, essa abordagem nos convida a voltar a atenção para dentro com cuidado ativo, reconhecendo que o sofrimento faz parte da condição humana e pode ser um espaço de aprendizagem e crescimento.

Neff define a autocompaixão como o gesto de oferecer a si o mesmo tipo de gentileza, apoio e compreensão que normalmente reservamos a um bom amigo em dificuldade. Esse modo de se relacionar consigo é descrito em três componentes interligados: autobondade (self-kindness), humanidade compartilhada (common humanity) e atenção plena (mindfulness), que se combinam para formar uma atitude interna mais estável e saudável diante de erros, frustrações e fracassos.

Atenção plena
Atenção plena é o ato de reconhecer o que se sente no corpo e no campo emocional no momento presente, de forma equilibrada, sem negar, nem exagerar a experiência. Para que a autocompaixão aconteça, é preciso perceber a dor que está ali. Porque quando a pessoa se anestesia ou se afunda em ruminações, fica difícil responder com cuidado a si mesma. 

Nos treinamentos de Mindful Self-Compassion desenvolvidos por Germer e Neff, a atenção plena é descrita como o primeiro passo: voltar-se com consciência sensível para pensamentos, emoções e sensações desafiadoras, abrindo espaço para uma resposta mais sábia.

Essa presença atenta funciona como uma base onde a autobondade e a humanidade compartilhada podem crescer. Ao notar, por exemplo, a frustração por uma nota de prova abaixo da esperada, o aluno pode se perguntar do que precisa naquele momento (como uma pausa, apoio, um plano de estudo), em vez de reagir no automático com críticas ou fuga. 

Com o tempo, esse treino de atenção equilibrada fortalece a autorregulação emocional, competência essencial para lidar com estresse, relações interpessoais e transições de vida de maneira mais madura.

Autobondade
A autobondade é a disposição de tratar a si próprio com cuidado em vez de recorrer automaticamente ao julgamento severo quando algo dá errado. Na prática, é substituir frases internas hostis (como “não presto”, “estraguei tudo”) por um tom mais encorajador, que reconhece o erro sem se reduzir a ele e oferece suporte emocional para seguir adiante (“não deu certo desta vez, mas continuaremos tentando”, “sim, erramos, mas aprendemos com o erro e da próxima vez não o faremos mais”). 

Pesquisas conduzidas por Neff mostram que essa postura está associada a menor estresse, menos sintomas depressivos e maior motivação sustentável, porque reduz a resposta de ameaça acionada pela autocrítica e ativa sistemas de calma e recuperação no organismo.

Nesse contexto, cultivar a autobondade não se trata de passar a mão na cabeça ou evitar responsabilidades. É mudar a base da motivação: em vez de agir movido pelo medo de não ser suficiente, a pessoa passa a agir porque se importa consigo e deseja construir uma vida coerente com seus valores. Essa mudança de foco favorece a resiliência, já que erros deixam de ser prova de inadequação e passam a ser oportunidades de ajuste, experimentação e aprendizado.

Humanidade compartilhada
Já a humanidade compartilhada nos lembra que sofrimento, limites e falhas não são exceções individuais. São experiências da condição humana. Em momentos de crise é comum pensarmos: “só eu erro desse jeito”, o que amplia vergonha e solidão. Ao passo que reconhecer que todos fracassam, se sentem inadequados às vezes e enfrentam situações difíceis cria um senso de pertencimento e reduz a sensação de isolamento. 

Neff e Germer sublinham que essa perspectiva de interconexão é central, pois reforça valores como sabedoria, interdependência e compaixão, bem como ajuda a pessoa a olhar para a própria dor sem se colocar à parte da humanidade. Essa mudança de enquadramento reduz o medo de tentar de novo, facilita pedidos de ajuda e fortalece a empatia. Ao perceber que todos enfrentam desafios, as pessoas tendem a se apoiar mais umas nas outras, em vez de competir para esconder as próprias vulnerabilidades.

Essas três dimensões não são técnicas isoladas: são aspectos que se entrelaçam para formar uma postura interna de autocompaixão. Precisam ser praticadas juntas. Então, quando uma situação difícil aparece, a atenção plena permite reconhecer o sofrimento, a humanidade compartilhada lembra que ele é parte do viver e a autobondade oferece um modo mais cuidadoso de responder a si mesmo. Juntas, elas favorecem enfrentamento saudável, clareza para tomar decisões e maior bem-estar psicológico. 

Além disso, para educadores, integrar esses pilares em propostas pedagógicas e materiais didáticos abre espaço para práticas concretas — exercícios de escrita compassiva, momentos de pausa consciente, partilha de experiências comuns — que ajudam crianças, jovens e adultos a transformar a relação que têm consigo em fonte de força, não de desgaste.

Texto: Marcela Braz.

Metodologia OPEE: em quais bases teóricas a Metodologia OPEE é fundamentada?

Metodologia OPEE: em quais bases teóricas a Metodologia OPEE é fundamentada?

Os pressupostos teóricos que embasam a Metodologia OPEE auxiliam o mediador a, por meio da visão de mundo e do enquadre teórico, compreender os pilares que justificam e sustentam as atividades propostas ao longo de toda a Educação Básica com a coleção. Veja abaixo as principais bases teóricas:

 

 

Todos esses saberes se complementam, uma vez que reconhecem a realidade como fruto de uma cocriação entre indivíduos e o meio ambiente. 

O Modelo Cognitivo adotado entende que as relações humanas são construídas de modo sinérgico e interativo: somos todos únicos, mediadores e alunos. A forma como cada um entende a realidade e atribui significado às suas experiências, é singular. E tudo isso deve ser considerado na interação e na construção rumo à realização de sonhos e projetos, integrando o pensar, o sentir e o agir.

A Neurociência, por meio de inúmeros achados recentes, mostra-nos a relevância da plasticidade cerebral, bem como a noção de que somos um todo interligado e em constante circularidade entre os processos de pensar, sentir e agir. Afinal, somos seres biopsicossociais em constante transformação e aprendizado.

A Logoterapia, com sua gama de conhecimentos, demonstra que somos dotados da capacidade de mudar, de transcender as circunstâncias e de aprender com as experiências. Viktor Frankl, criador desta teoria, nos alerta sobre a importância da busca pelo sentido da vida e do projeto de vida como fator de superação, pois sempre temos, por menor que seja, alguma possibilidade de escolha diante das situações que nos são apresentadas.

A capacidade de lidar com as emoções e conviver bem é um pilar essencial, praticado por meio do módulo de autoconhecimento e fundamentado nos conhecimentos da inteligência emocional. Todos queremos conviver bem uns com os outros. Isso não significa que não existam conflitos e divergências, mas sim a possibilidade de aprender com eles e compreender que todos têm direito a ter voz e respeito.

A Psicologia Positiva agrega com seus saberes de como promover uma vida sadia, eficaz e feliz. Com um olhar voltado não àquilo que não funciona ou às doenças, a proposta é compreender como podemos promover saúde e quais fatores de proteção podem ser praticados para viver melhor. 

As Ciências Sociais com certeza ampliam o olhar e nos auxiliam a entender o funcionamento, o desenvolvimento e a organização das sociedades e para onde estamos caminhando. Alinhada à Filosofia Existencialista, propomos que os alunos percebam que seu futuro não está condenado nem garantido, mas é construído diariamente. 

Um dos pontos angulares de nossa metodologia é justamente auxiliar o indivíduo a desenvolver seus projetos de vida, alcançar um bom grau de flexibilidade mental e empoderamento atitudinal para que consiga alcançar a satisfação em seu processo de crescimento pessoal e profissional. Acreditar no futuro é fator de proteção à saúde mental. Afinal, a busca por um sentido e por um propósito é o que nos mantém conectados com nossos projetos e com a atitude para concretizá-los, superando desafios e atravessando dificuldades. 

 

5 TED Talks sobre finanças pessoais para inspirar sua vida financeira

A Metodologia OPEE vai muito além do socioemocional: unimos inteligência emocional com atitude empreendedora e escolhas que visam a uma vida financeira equilibrada por meio de atitudes sustentáveis e da educação financeira. Esta última, por sinal, é elementar de existir em formações integrais, principalmente pelo dinheiro ser um alicerce da nossa sociedade capitalista. E, ao mesmo tempo, ainda um tabu e tema do qual poucos têm conhecimento para gerir recursos com autonomia e segurança.

Isso é evidente pelo fato de, em dezembro de 2025, 79,5% dos brasileiros estarem endividados, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic). Esse problema, que afeta milhões, impacta conta no banco, saúde emocional, relacionamentos e dinâmicas famíliares.

Nesse contexto, selecionamos 5 TED Talks sobre finanças pessoais para enriquecer a visão de educadores e cuidadores. São conteúdos que podem trazer mais clareza, menos vergonha e mais propósito para a vida financeira das pessoas.

 


  1. “O poder do não e o dinheiro” – Nathalia Arcuri

Link: https://www.youtube.com/watch?v=hxEaB-a4KGg

Nathalia Arcuri, especialista em finanças e criadora do canal do YouTube Me Poupe!, demonstra como o “não” pode libertar pessoas de padrões de consumo impulsivos e de endividamento. Ao contar sua própria trajetória – do sonho de comprar um carro ainda criança até conquistar independência financeira na vida adulta –, ela explica como escolhas conscientes só podem ser feitas a partir de metas claras e de prioridades bem definidas.

A palestra apresenta, de forma bem-humorada e acessível, conceitos de psicologia econômica, impulsividade e comportamento de manada. Nela, Nathalia reforça como dizer “não” para gastos desimportantes abre espaço para dizer “sim” aos projetos de vida. E incentiva jovens e adultos a criarem objetivos, organizarem o orçamento e buscarem conhecimento para investirem melhor o próprio dinheiro.


  1. “Saving for tomorrow, tomorrow” – Shlomo Benartzi

Link: https://www.ted.com/talks/shlomo_benartzi_saving_for_tomorrow_tomorrow

O economista comportamental Shlomo Benartzi mostra por que é tão fácil adiar decisões importantes de investimentos e aposentadoria, mesmo sabendo como são essenciais. Ele explica como nosso cérebro valoriza mais o presente do que o futuro e como isso sabota a execução de planos financeiros.

A partir desse diagnóstico, Benartzi apresenta o programa “Save More Tomorrow”, que significa, em português, “guarde mais amanhã”. Nele, as pessoas se comprometem a aumentar a taxa de investimentos no futuro quando recebem um aumento salarial, para não sentirem um “baque” imediato no bolso. A proposta inspira educadores e famílias a criarem pequenos empurrões comportamentais para tornar o ato de guardar dinheiro mais simples e menos doloroso.


  1. “Money Shame: The Silent Killer” – Tammy Lally

Link: https://www.ted.com/talks/tammy_lally_let_s_get_honest_about_our_money_problems

A autora, palestrante e coach financeira Tammy Lally aborda neste TED Talk a “vergonha financeira”, sentimentos de culpa e comparação sobre dinheiro. Eles geralmente vêm acompanhados do silêncio, ou seja, são temas com os quais as pessoas com frequência sofrem sozinhas. Tammy conecta sua própria história familiar a questões como endividamento, perdas e saúde emocional. E prova que as finanças pessoais não são apenas números; sobretudo, envolvem crenças e traumas.

Assim, a consultora propõe abrir espaço, por meio da educação financeira, para conversas honestas sobre erros, medos e padrões familiares. Em contexto escolar, essa abordagem incentiva os estudantes a encararem o assunto com menos tabu, mais abertura para pedir ajuda e a assumirem mais responsabilidade ao tomar decisões com dinheiro.


  1. “Educação financeira – É possível se reerguer do zero” – Késia Prates

Link: https://www.youtube.com/watch?v=JeE1gIKD5VU

A educadora financeira Késia Prates compartilha sua história real de caos financeiro após um parto prematuro e a decisão de deixar o emprego para ficar com os filhos, sem planejamento prévio. As decisões, tomadas sem o devido conhecimento sobre finanças pessoais, culminaram em várias dívidas. 

A virada aconteceu quando Késia estudou sobre finanças pessoais e aplicou esses saberes em sua própria vida. Isso não apenas a permitiu pagar seus credores, como a abriu portas a uma nova carreira. Hoje ela ajuda outras pessoas por meio da educação sobre dinheiro.


  1. “How to buy happiness” – Michael Norton

Link: https://www.ted.com/talks/michael_norton_how_to_buy_happiness

Professor da Harvard Business School, Michael Norton questiona a famosa frase do senso comum “dinheiro não compra felicidade”. Por meio de pesquisas científicas, revela como a forma de gastar é mais relevante para a nossa felicidade do que o quanto se ganha. Segundo os estudos citados, usar esse recurso com outras pessoas – em ações de generosidade, presentes ou projetos coletivos – tende a gerar mais bem-estar do que o consumo focado apenas em si mesmo.

Essa perspectiva amplia a visão tradicional de finanças pessoais e inclui fatores como propósito, vínculos e impacto social nas escolhas financeiras. Para a comunidade escolar, a palestra abre espaço para somar às discussões sobre orçamento e poupança as formas do dinheiro apoiar projetos colaborativos, causas sociais e experiências significativas.

Texto: Marcela Braz.

O gestor e sua importância no dia a dia da escola

Quem dá o tom e o clima organizacional da instituição é ele: o gestor escolar. Ele influencia diretamente a forma como professores, estudantes e famílias se relacionam com o projeto pedagógico. 

Sua responsabilidade é indelegável: é quem conduz a equipe, faz escolhas estratégicas e sustenta a cultura da escola no cotidiano. Como farol, inspira, orienta e apoia os profissionais, ajuda cada um a reconhecer seu papel na formação integral dos estudantes e na construção de projetos de vida significativos.

A OPEE Educação reconhece o peso e importância desse papel e agora o fortalece com uma nova trilha formativa exclusiva para gestores parceiros, com capacitação on-line, certificada e organizada por temas.

Dentre eles estão: 

  • desafios do cotidiano da gestão escolar; 
  • estratégias para envolver as famílias; 
  • construção de um ambiente de bem-estar, felicidade e espiritualidade; 
  • comunicação, assertividade e carisma; 
  • cuidado com a saúde mental do líder, com dicas práticas para fortalecer seu próprio projeto de vida. 

Esses conteúdos se complementam para apoiar uma atuação mais consciente, autorresponsável e inspiradora à frente da escola.

Além disso, pelo portal Capacita OPEE, o gestor acessa vídeos, e-books, planejamentos, gamificação, relatórios de certificação da equipe e conteúdos específicos sobre avaliação processual, acompanhamento das aulas e engajamento das famílias. 

Esses recursos permitem orientar o uso da coleção, apoiar a formação docente de forma contínua e alinhar toda a equipe em torno dos objetivos do projeto. Além disso, a OPEE disponibiliza materiais para fortalecer a parceria com as famílias, como Guia de Acolhimento, e-books, podcasts, webinares e o Projeto de Vida em Família – Nosso diário de bordo, que ampliam o impacto do trabalho para além da escola.

Esses diferenciais são oferecidos de forma exclusiva às escolas parceiras e proporcionam ao gestor suporte permanente para acompanhar, qualificar e sustentar a implantação da Metodologia OPEE. E, com isso, construir uma cultura institucional coesa em torno do projeto de vida.

Texto: Marcela Braz.

Esperança em queda: pesquisa nacional revela diminuição de motivação entre professores brasileiros

 Levantamento da OPEE Educação mostra que o índice de educadores confiantes no futuro da educação caiu de 2024 para 2025, enquanto cresce a demanda por saúde mental para que a esperança continue sendo motor de transformação.

 

Imagem: Depositphotos

 

Em pleno mês em que se comemora o Dia do Professor, uma nova edição do Estudo OPEE Educação convida à reflexão sobre os desafios e as conquistas de quem está à frente da educação. O levantamento ouviu 1.763 educadores de escolas públicas e privadas de todas as regiões do país. Os números revelam que a esperança dos docentes em relação ao futuro da educação passou de 58,59% em 2024 para 45,21% em 2025. Embora o índice de profissionais que se declaram pouco esperançosos ou pessimistas tenha subido de 2,84% para 10,27%, a pesquisa mostra que a maioria segue confiante na força da escola como motor de transformação social.

O estudo realizado pela OPEE, em parceria com a Mercare! Educação, reforça um ponto central: cuidar de quem cuida é essencial para garantir o futuro da educação. Mais do que alertar, os dados abrem caminhos para ações de apoio e valorização do professor, especialmente no momento em que o país reconhece a importância desses profissionais. 

 

 


 

Silvana Pepe – Diretora da OPEE Educação | Imagem: OPEE Educação

Em sua 4ª edição, o estudo traz análises e desperta reflexões que orientam gestores e comunidade escolar, fortalecendo a profissão.

“Dar voz a quem vive a escola diariamente é essencial. Só ouvindo o professor poderemos agir de forma efetiva, desenhando caminhos que garantam não apenas a aprendizagem dos alunos, mas também o bem-estar de quem ensina”, reforça Silvana Pepe, diretora-geral da OPEE Educação.

O levantamento contou com respondentes de todas as regiões do país, com destaque para o Nordeste, que representou 52,6% das respostas. O perfil dos participantes reforça a experiência e o compromisso de quem faz a educação acontecer: 88,03% são mulheres, 63,18% têm entre 35 e 54 anos e 40,16% atuam há mais de 21 anos na área, evidenciando uma trajetória sólida e de longo vínculo com a escola.

Quanto às funções, a diversidade é clara: 27,91% são professores polivalentes, 20,48% especialistas e 19,29% coordenadores pedagógicos, demonstrando que a educação é sustentada por profissionais que, em diferentes frentes, mantêm viva a missão de ensinar e inspirar.


Motivação em foco: propósito persiste, mas sinais de desgaste pedem atenção

Com um olhar atento para a realidade das escolas, o levantamento traça um panorama que mistura resistência e alerta. O compromisso dos educadores com a transformação social permanece firme, mas a redução na motivação e a pressão cotidiana pedem maior apoio da sociedade e dos gestores públicos. 

Os dados mostram que, mesmo diante de desafios crescentes, o propósito continua sendo a grande força que move os professores. Embora tenha havido uma queda de 2024 para 2025, 44,81% afirmam que seguem na profissão pelo impacto que geram no mundo – no ano passado, este número era de 51,85%. Ainda assim, a motivação apresenta sinais de desgaste: apenas 7,8% dos participantes dizem sentir-se totalmente motivados. Em paralelo, subiu de 3,17% para 6,18% o índice dos que veem a docência principalmente como meio de sustento, evidenciando mudanças nas expectativas e na forma de encarar a carreira.

 

Leo Fraiman – psicoterapeuta, palestrante e autor da Metodologia OPEE | Imagem: Acervo Pessoal

Para Leo Fraiman, psicoterapeuta, palestrante internacional, escritor e autor da Metodologia OPEE, o recado é claro: “Os professores brasileiros continuam acreditando no poder transformador da educação, mas os dados deixam evidente um pedido de ajuda. A queda na motivação e o aumento do pessimismo não significam que os educadores desistiram, mas que eles precisam de apoio real, de condições de trabalho melhores em termos de formação, acolhimento e suporte à sua saúde mental e de políticas que reconheçam sua importância. A educação precisa ser construída com os educadores e não apenas para eles. Este estudo pode servir como ponte entre escuta qualificada, devolutiva concreta e valorização da experiência de quem faz a escola acontecer”, afirma.

Apesar do cenário desafiador, a esperança segue como elemento central na vida profissional dos educadores brasileiros. Para muitos, ter esperança significa acreditar no poder de transformação social e pessoal da educação, trabalhar para construir um futuro melhor para os alunos e para a sociedade, valorizar princípios humanos como justiça, empatia, solidariedade e respeito e manter a escola como um espaço de acolhimento e oportunidades. O que sustenta esse sentimento, segundo a pesquisa, são principalmente os resultados positivos alcançados com os alunos (49,57%), o apoio da equipe gestora e dos colegas (39,93%), a fé ou espiritualidade pessoal (35,45%) e a formação continuada (35%).

Para Fraiman, esse equilíbrio revela a dimensão emocional e profissional da docência. “É significativo que fé e formação continuada apareçam lado a lado, isso mostra que o professor precisa tanto de alimento para o coração quanto de desenvolvimento para a mente. O caminho é oferecer ambos: suporte emocional e oportunidades de crescimento profissional”. Essa combinação de propósito, apoio institucional e fortalecimento emocional conecta-se diretamente aos desafios de motivação e saúde mental apontados pelo estudo, reforçando que cuidar de quem ensina é condição indispensável para que a esperança continue sendo motor de transformação.


Valorização e saúde mental como pilares da educação

Quando convidados a apontar medidas para fortalecer a esperança e seguir acreditando no futuro da educação, os professores foram enfáticos com a questão de melhor remuneração (66,93%), apoio efetivo à saúde mental (62,28%), maior envolvimento das famílias e da comunidade (40,05%) e oportunidades de formação continuada (38,85%). Para Silvana, esses números representam um chamado direto para governos, escolas e sociedade.

“Os dados falam por si: sem valorização financeira e sem suporte psicológico, não haverá futuro para a educação. Precisamos de políticas públicas e de ações institucionais que cuidem do professor como ser humano integral, com corpo, mente e propósito. Valorizar o docente é garantir a sustentabilidade de todo o sistema educacional”, defende.

Cinco anos após a pandemia de Covid-19, os efeitos sobre a saúde mental dos educadores continuam profundos e visíveis no cotidiano escolar. Se, no início, a prioridade compreensivelmente foi dar suporte aos alunos, hoje os professores sentem o peso de terem sido deixados em segundo plano. A sobrecarga emocional, a falta de acolhimento e as condições de trabalho desafiadoras se refletem em índices crescentes de burnout, ansiedade e exaustão.

A diretora reforça que não é possível ignorar o impacto desse abandono. “No pós-pandemia, o foco foi o estudante. Mas, ao longo desses cinco anos, os educadores foram sobrecarregados e pouco acolhidos, o que hoje se traduz em altos índices de burnout, ansiedade e exaustão emocional. Precisamos lembrar que, para garantir o aprendizado dos alunos, é fundamental garantir também a saúde mental de quem ensina. Cuidar de quem cuida é um investimento no futuro da educação”.

Essa combinação de valorização financeira, suporte psicológico e políticas de formação aparece, no estudo, como caminho essencial para que a esperança dos professores não apenas resista, mas volte a crescer.

 


 

OPEE EDUCAÇÃO

A OPEE Educação trabalha com projetos educacionais que abrangem toda a Educação Básica, Organizações Não-Governamentais e ambientes corporativos. O foco principal da instituição é contribuir para a construção de projetos de vida sustentáveis e colaborativos e da atitude empreendedora por meio de três linhas de atuação: Metodologia OPEE, formada por coleções de livros que vão desde a Educação Infantil até o Ensino Médio e Escola Para Pais, com conteúdos digitais que visam orientar e trazer reflexões para as famílias no que se refere à educação de crianças e adolescentes.  


 

CONFIRA O DESTAQUE DO ESTUDO OPEE 2025 NA MÍDIA:

Bandnews FM

https://youtu.be/2_DlnNKPTfE?si=ElZiTMgZiVhOn–W

Agência Brasil

https://agenciabrasil.ebc.com.br/educacao/noticia/2025-10/professores-no-brasil-usam-mais-ia-que-media-dos-paises-da-ocde

Portal Educação & Tendências

https://educacaoetendencias.com.br/pesquisa-revela-professores-menos-motivados-com-a-educacao/

Portal Educador 21

https://educador21.com/motivacao-de-professores/

Guia de Escolas

https://portalguiaescolas.com.br/pesquisa-nacional-revela-diminuicao-de-motivacao-entre-professores-brasileiros/

Viva.com.br

https://viva.com.br/carreira-e-educacao/aposentadoria-riscos-a-saude-mental-e-etarismo-desafiam-professores-50.html

Valor Globo

https://valor.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2025/10/24/pesquisa-revela-diminuicao-de-motivacao-entre-professores-1.ghtml

Portal Terra

terra.com.br/noticias/pesquisa-revela-diminuicao-de-motivacao-entre-professores,ed7b4239e0b54ef819184db3ac56c5b73tnwlta3.html

O Globo

https://oglobo.globo.com/patrocinado/dino/noticia/2025/10/24/pesquisa-revela-diminuicao-de-motivacao-entre-professores-1.ghtml

Mundo Corporativo

https://www.em.com.br/mundo-corporativo/2025/10/7278524-pesquisa-revela-diminuicao-de-motivacao-entre-professores.html

Dino Ig

https://dino.ig.com.br/2025-10-24/pesquisa-revela-diminuicao-de-motivacao-entre-professores.html

O dever das escolas no Estatuto Digital da Criança e do Adolescente

A entrada em vigor do Estatuto Digital da Criança e do Adolescente (Lei nº 15.211/2025) inaugura um marco regulatório que não se limita às grandes plataformas de tecnologia. A lei cria um novo patamar de responsabilidade para todos os setores que lidam, ainda que indiretamente, com crianças e adolescentes em ambientes digitais e o setor educacional está no centro desse processo.

O conceito de “acesso provável”, eixo estruturante da lei, torna inequívoco que escolas, ao adotarem tecnologias digitais em sua rotina, passam a estar abrangidas pelo regime jurídico. Isso significa que sistemas de provas on-line, plataformas de comunicação, bibliotecas digitais e até ferramentas terceirizadas de gestão de pagamentos na cantina devem ser avaliados sob a ótica do EDCA. Deixar de fazê-lo pode expor a instituição a sanções que chegam a 10% do faturamento bruto ou até R$ 50 milhões, além de impactos reputacionais severos.

Esse novo cenário se fortalece com a transformação da ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) em agência reguladora autônoma, incumbida de fiscalizar o cumprimento do Estatuto. Com poderes ampliados, a Agência passa a ser o órgão responsável por arbitrar condutas, impor sanções e exigir, em determinados casos, relatórios periódicos de conformidade no tocante à proteção digital de crianças e adolescentes.

Diante desse quadro, as escolas não podem se limitar a compreender o EDCA como uma diretriz ética. Ele exige ações concretas e imediatas, entre as quais destacam-se:

1. Inventariar o ecossistema digital: identificar todas as ferramentas tecnológicas em uso e classificá-las à luz do critério de “acesso provável”.
2. Revisar contratos com fornecedores: incluir cláusulas específicas de responsabilidade, conformidade e segurança digital.
3. Implementar mecanismos de verificação etária e consentimento: assegurar que o acesso e o tratamento de dados sejam adequados à faixa etária dos alunos.
4. Configurar segurança e privacidade por padrão: adotar soluções técnicas e políticas internas que reduzam riscos desde a concepção.
5. Capacitar toda a comunidade escolar: educadores, alunos e famílias devem receber formação contínua para exercer, cada um em sua esfera, o dever de proteção.

Ao assumir esse protagonismo, a escola cumpre não apenas um dever legal, mas também fortalece sua função pedagógica e preventiva, consolidando-se como espaço de confiança para famílias e alunos. Nesse sentido, o EDCA não deve ser visto como fardo regulatório, mas como oportunidade de diferenciar-se pela excelência em governança digital e proteção integral de crianças e adolescentes.

 

QUER SABER MAIS? 

Baixe o e-book gratuito* de autoria da Dra. Alessandra Borelli que apresenta um panorama claro e acessível sobre os avanços regulatórios no Brasil e no mundo: “Proteção Digital de Crianças e Adolescentes: avanços regulatórios globais e tendências emergentes”. Confira!

*Exclusivo para escolas parceiras OPEE.

 

Texto: Alessandra Borelli

advogada especialista em Direito Digital e Proteção de Dados, palestrante, autora do livro ‘Crianças e Adolescentes no mundo Digital – orientações essenciais’, Ed. Autêntica, 2022, de diversos artigos e cartilhas relacionados ao tema, e sócia do Opice Blum Advogados.

Família e escola: a urgência do trabalho conjunto

“Aluno é transitório, filho é para sempre.” A citação magistral de Içami Tiba, médico e escritor, nos permite refletir sobre essa relação tão essencial entre a família e a escola. 

Sem dúvidas, os primeiros professores da vida são as famílias. O início do desenvolvimento das habilidades comportamentais ocorre dentro de casa, e são inúmeros aprendizados que surgem por meio dos estímulos e das orientações desses responsáveis. 

A família é o primeiro ambiente onde os valores, as atitudes e as crenças são transmitidos. Depois, a escola vai ampliar esse conhecimento e proporcionar a rica convivência com a diversidade. Assim, se essas duas instituições souberem fazer um trabalho conjunto, certamente vão contribuir com excelência para o sucesso escolar. 

É urgente constatar que a aprendizagem necessita desse conjunto, que as estratégias precisam transitar com responsabilidade em direção aos planejamentos da escola.

“Família é bem maior

É aconchego, é lar

É a escola primeira

Lição de amor e de amar

É a certeza de colo,

De ninho para regressar”

Bráulio Bessa, poeta brasileiro.

Segundo a BNCC, a entrada na escola por meio da educação infantil significa, na maioria das vezes, a primeira separação das crianças do contexto familiar, para se incorporarem a uma situação de socialização estruturada. Os dois contextos em que a criança está inserida precisam estar alinhados para garantir a segurança do desenvolvimento, a ampliação contínua da maturação e proporcionar ambientes para que os processos sejam garantidos por professores e responsáveis. 

O foco deve estar no relacionamento, não nos papéis distintos. A relação entre família e escola conjuga o verbo no plural, a partir do momento em que se compreende a importância dessa soma: para sempre seremos nós.

Aristóteles, filósofo grego, definiu o termo “família” como sendo uma comunidade em que a casa (oikós) deve servir de base para a cidade (pólis). Paulo Freire, educador e filósofo brasileiro, completa dizendo que a educação é um ato político, em que a família e a escola devem se unir para angariar bons resultados e práticas. Para ele, a família tem o dever de acompanhar o processo de aprendizagem, ter uma comunicação aberta com os professores e contribuir com a gestão democrática da escola. 

Outros estudiosos trazem observações significativas sobre a relação intrínseca da família com a escola e dialogam sob a mesma perspectiva. Vygotsky, psicólogo russo, foi pioneiro em conceituar que o desenvolvimento intelectual das crianças ocorre em função das interações sociais e das suas condições de vida. Segundo ele, a família é a responsável por fornecer o alicerce emocional e social aos educandos. 

Piaget, psicólogo suíço, um dos pensadores mais importantes do século XX, acreditava que a família e a escola eram dois ambientes importantes para o aprendizado e a formação da personalidade. Ele defendia a ideia de que a educação deve ser baseada na interação entre todas as partes envolvidas no processo.

“Escolas que são gaiolas existem para que os pássaros desaprendam a arte do voo. Pássaros engaiolados são pássaros sob controle. Engaiolados, o seu dono pode levá-los para onde quiser. Pássaros engaiolados sempre têm um dono. Deixaram de ser pássaros. Porque a essência dos pássaros é o voo. Escolas que são asas não amam pássaros engaiolados. O que elas amam são pássaros em voo. Existem para dar aos pássaros coragem para voar. Ensinar o voo, isso elas não podem fazer, porque o voo já nasce dentro dos pássaros. O voo não pode ser ensinado. Só pode ser encorajado.” – Rubem Alves, educador e escritor brasileiro.

Como o maior desejo das famílias e também das escolas é contemplar os voos mais altos de seus filhos e alunos, certamente todos esses olhares estarão voltados para o mais belo dos horizontes. Dessa forma, acompanhar as atividades dos filhos, manter o diálogo aberto e a escuta ativa com a escola, contribuir com as regras e projetos pedagógicos, valorizar os resultados e os avanços, incentivar o estudo e a leitura são práticas infalíveis que todas as famílias devem ter para se obter bons resultados durante o curso escolar de seus filhos. 

Bem como à escola se faz necessário acolher as necessidades individuais, oferecer espaços para o diálogo claro e transparente com as famílias, promover oportunidades de formação e conhecimento à comunidade escolar. É um desafio diário e contínuo de responsabilidade, respeito e compromisso. 

A consequência imediata é promover um ambiente harmonioso, seguro, forte em seus vínculos afetivos, que colabora para a formação da autoestima. Alunos se sentem mais confiantes em suas aprendizagens e engajados nas tarefas diárias. Os responsáveis se sentem mais seguros e inclinados a participarem ainda mais da vida escolar dos filhos.Quantas lembranças guardamos da época dos nossos livros, cadernos e professores? A escola tem de ser a mais linda extensão da nossa casa, uma das mais doces lembranças em meio às letras, números e fórmulas. A escola tem de ser a plataforma para a realização de sonhos, conquista de medos e desenvolvimento da coragem para alçar o primeiro de muitos voos ao longo da vida.

Referências bibliográficas:

ALVES, Rubem. Por uma educação romântica. 8. ed. Campinas: Papirus, 2009. p. 29-32.

BESSA, Bráulio. Família é bem maior. Encontro com Fátima Bernardes, TV Globo, 12 maio 2017. Disponível em: https://gshow.globo.com/programas/encontro-com-fatima-bernardes. Acesso em: 7 ago. 2025.

Texto: Kelly Silva.

Bullying ou brincadeira? Qual é a diferença?

“Eu estava só brincando”, se defendem jovens – e até adultos – quando são confrontados com a responsabilização atrelada ao termo “bullying”. Embora frequentemente confundidos, é fundamental entender que bullying e brincadeira são comportamentos muito distintos. Especialmente no ambiente escolar, onde crianças e adolescentes convivem e se desenvolvem socialmente. 

Bullying é um conjunto de agressões repetidas e intencionais que podem ser verbais, físicas ou psicológicas, direcionadas a uma pessoa que é, geralmente, mais vulnerável, intimidada e excluída do grupo. Essas agressões acontecem de forma sistemática e causam sofrimento profundo à vítima, que pode experimentar isolamento social, queda na autoestima, problemas de saúde mental como depressão e ansiedade, e até quadros mais graves como o suicídio. 

A legislação brasileira, especialmente a Lei nº 13.185/2015, caracteriza o bullying como ações de intimidação sistemática e prevê medidas para seu combate nas escolas.

As brincadeiras, por outro lado, são interações lúdicas, voluntárias e mútuas entre as crianças. Normalmente envolvem troca de risadas, respeito aos limites e ausência de sofrimento para os envolvidos. 

Claro que elas podem, às vezes, incomodar. Mas, se são feitas sem intenção de causar dor, sem persistência para humilhar e são aceitas e compreendidas pelos participantes, não configuram bullying.

A principal diferença está no repetido e deliberado caráter das agressões no bullying, enquanto a brincadeira é momentânea, consensual e saudável. O bullying é um abuso de poder, em que a vítima não tem como se defender da perseguição contínua. Enquanto a brincadeira é uma interação equilibrada, que promove aprendizado social, cooperação e diversão.

Para a comunidade escolar, é essencial saber identificar quando uma situação ultrapassa o limite da brincadeira e se torna uma violência. Por isso, é importante ter atenção a sinais como: isolamento da criança, tristeza constante, medo de ir à escola, mudanças no comportamento, ou relatos de agressões verbais e físicas constantes. 

Nessas situações, é necessário agir e envolver família, professores e profissionais especializados. E com diálogo e estratégias de conscientização para interromper esse ciclo de violência e apoiar a vítima e o agressor, que muitas vezes também sofre.

O combate ao bullying começa pelo reconhecimento claro do que ele é, diferenciando-o da brincadeira inocente e reforçando uma cultura de respeito e empatia entre as crianças e jovens. Esse cuidado ajuda a formar cidadãos mais conscientes, que valorizam o bem-estar coletivo e sabem conviver com as diferenças, um dos grandes desafios e aprendizados da vida escolar.

Aprofunde-se mais sobre o tema na cartilha da OPEE Educação, que traz orientações práticas para educadores e famílias prevenirem, identificarem e agirem frente ao bullying com acolhimento, escuta e diálogo.

Texto: Marcela Braz.